
Hoje é sábado, e como de costume eu fui para a faculdade, cujo horário neste dia é de manhã. Se eu demorasse mais um pouco tomando banho, ou tomando meu café, provavelmente perderia o ônibus, só pegando o próximo meia hora depois. O ônibus que peguei, devido à falta de pessoas, não teria porque parar naquela parada nº. 10, seguindo em frente, cinco segundos adiantado, impedindo que aquele senhor que chegou à parada 14 no último instante pudesse pegar o seu transporte para chegar em tempo onde quer que seja.
Consequentemente, cada evento produzido por nós tem um impacto pragmático na realidade das pessoas com as quais você se relaciona, e por derivação, na realidade das pessoas relacionadas àquelas. Disto, chegamos à conclusão de que cada ser humano, quando age por meio de escolhas, tem a capacidade de dividir a realidade em quantas forem estas escolhas: isto é o caos agindo na sociedade.
Assim como uma borboleta que ao bater as asas no Brasil pode causar um furacão no Texas, um comportamento diferente seu pode causar um evento do outro lado do país. A tendência social é ir de encontro aos eventos aleatórios e impor um comportamento padrão, através de instituições que a regulem, sendo de maneira natural, como a moral, ou sintética, como o direito.
Para isso, são organizadas regras tanto para ações: “Se você matar, será preso”, ou “Mentir é feio”; quanto para omissões: “Se você não omitir socorro podendo o fazer, será preso”, ou ainda “Não obedecer a sua mãe é feio”.
O que se está querendo objetivar não é somente a paz, mas também a harmonia sintética, isto é, evitar haja uma harmonia natural que poderia agir contrariamente aos valores atuais, evitar o comportamento ordinário do caos somente por medo do que ele possa oferecer. Isto é, há uma certa impressão de que, v.g., retirando-se magicamente toda a proteção à vida da religião e do ordenamento jurídico, todos viveriam aterrorizados constantemente pela ideia de serem mortos. Eu não acho que seria possível, contanto que o sentimento moral de “não matar” continue vivo, mas isso já é tema para outra discussão.
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