segunda-feira, 28 de março de 2011

Garoto de 12 anos pode ter doutorado!

Uma criança prodígio de 12 anos de idade, vem surpreendendo professores universitários após solucionar alguns dos mais avançados conceitos em matemática. Jacob Barnett tem um QI de 170 - maior do que Albert Einstein - e agora está tão avançado em seus estudos da universidade de Indiana que os professores estão pensando em indica-lo para uma pesquisa de doutorado.

O menino prodígio, que aprendeu sozinho cálculo, álgebra, geometria e trigonometria em uma seJakemana, agora ajuda seus colegas de faculdade depois do expediente. E agora Jake vai lançar o seu projeto mais ambicioso - a sua "versão expandida da teoria da relatividade de Einstein.

Sua mãe, que não tinha certeza se o filho estava falando bobagem ou genialidade, enviou um vídeo de sua teoria para o Instituto de Estudos Avançados de renome, perto da Universidade de Princeton. De acordo com a Star Indiana, Instituto de Astrofísica, o professor Scott Tremaine, um especialista de renome mundial - confirmou a autenticidade da teoria de Jake. Em um e-mail para a família, Tremaine escreveu: "Estou impressionado com seu interesse pela física e da quantidade que ele já aprendeu até agora.

Jake foi diagnosticado com síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo, desde tenra idade. Seus pais ficaram preocupados quando ele não falou até os dois anos de idade, suspeitando que ele fosse educacionalmente anormal. Mas quando ele começou a crescer começaram a perceber o quão especial era seu dom. Com a idade de oito anos, ele havia deixado o ensino médio e estava freqüentando a Indiana University-Purdue University ,de Indianapolis, nas classes mais avançadas de astrofísica.




D'aqui.

É.. eu sei... tem muita gente com um qi bom desse, ou melhor... mas o menino é doutorando, gente... É incrível, meu filho vai ser assim :D

domingo, 6 de março de 2011

Conhecimento e crença


O número de ateus e agnósticos está em crescimento vertiginoso. Isso se dá por uma maior racionalização e acessibilidade de conhecimento através da internet. Se surge qualquer dúvida, lá está o google e a wikipedia para nos ajudar (desde que sejam confiáveis os índices). Mas concomitantemente a isso, surge um problema, ou uma discussão, entre o agnosticismo e o ateísmo.

O principal argumento agnóstico é que não é possível saber se há ou não deus, e devido à falta de evidências empíricas, não se deve alegar a existência ou não de deus. Até aí tudo certo, eu concordo, mas defenderei meu ponto de vista ateu.

Na ciência, quando um argumento é criado, surge a necessidade de sua demonstração empírica, sendo, até lá, encarado com ceticismo, e até negação. É uma construção que deu certo até hoje, e está sendo usada na suposta maior revolução da física de todos os tempos: a teoria das cordas.

Não se pode dizer, hoje, que a teoria das cordas é verdadeira, ou falsa. Porém, cabe aos teóricos provar que ela é verdadeira. Mas aqui surge um paradoxo interessante.

A um tempo eu participei de um congresso promovido pelo astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser, que passou duas ideias, inerentes ao assunto aqui discutido, embora indiretamente paradoxais. A primeira ideia é a de que ele era agnóstico. A segunda, era que ele não acreditava na teoria das cordas.

A teoria das cordas, assim como deus, não foi provada ainda, logo, argumentativamente, está na mesma posição de que deus. Sejamos francos, o ateísmo é uma crença, uma crença na não-existência de deus, e é tão normal quanto falar que acredita que a teoria das cordas não é verdadeira.

Eu não acredito em yettis, não acredito em ovinis (em ET sim), não acredito em certas teorias conspiratórias e não acredito em atlântida. Todos esses casos não possuem prova factual de sua existência, por que deus seria diferente?

Certo, talvez alguns agnósticos não queiram ferir o ego de nenhum dos lados e continuar na sociedade de maneira pacífica e feliz. Não é o meu caso, muito embora eu me considere ateu agnóstico. Por quê?

O que eu discordo do agnosticismo é seu purismo, ele por si só não é funcional, é como dizer "tanto faz" quando sua mãe pergunta o que você quer de almoço. Mas, quando se une ao ateísmo, formam uma dupla argumentativa excelente: Eu não tenho certeza, pois não existe prova empírica, mas eu acredito que deus não exista.

Gnostos em grego significa conhecimento. Agnosticismo, portanto, é a falta de conhecimento sobre um determinado assunto, isso não impede que haja crenças relativas a essa falta de conhecimento.

Simples assim. Não há como fugir do fato de que nós, seres humanos, nascemos com a capacidade de ter crenças, e se for para usá-la, que seja da maneira mais racional e científica: até que se prove o contrário, tanto deus, quanto a teoria das cordas são passíveis de ceticismo.

E sim, infelizmente eu acredito na teoria das cordas, é muito legal. :)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Obediência



Imagine que você é voluntário para um experimento científico. Quando você chega ao laboratório descobre que os pesquisadores querem que você mate uma pessoa. Você protesta, mas os cientistas são categóricos “O experimento requer que você faça isso”. Você concordaria e mataria a pessoa?

Quando perguntados sobre o que fariam em uma situação semelhante quase todos respondem prontamente que obviamente se recusariam a cometer o assassinato. Mas o famoso Experimento da Obediência de Stanley Milgram, conduzido na universidade de Yale na década de 60, revelou que essas pessoas estão erradas. Se o pedido for feito de maneira adequada, quase todos nós cederíamos e nos tornaríamos assassinos obedientes.

Milgram disse aos voluntários que eles faziam parte de um experimento para determinar o efeito da punição no aprendizado. Um dos voluntários (que era na verdade um ator em cooperação com Milgram) faria o papel do Aprendiz e tentaria memorizar uma série de palavras. Os outros voluntários (os voluntários reais) acompanhariam a leitura com um gabarito e dariam uma descarga elétrica no argüido a cada vez que ele errasse. A cada resposta errada os choques aumentavam 15 volts de potência.

O experimento começava. O aprendiz errava propositalmente e logo a potência do choque chegava a 120 volts. Nessa altura o aprendiz começava a chorar e a reclamar da dor. Em 150 volts o aprendiz começava a gritar de dor e a implorar pra que o deixassem sair. É claro que era tudo atuação, mas os voluntários, que nada sabiam, começaram a hesitar e perguntaram aos pesquisadores o que deveriam fazer. A resposta era sempre a mesma “O experimento requer que você continue”.

Milgram não tinha nenhum interesse nos efeitos da punição no aprendizado. O que ele queria na verdade era saber quanto tempo as pessoas demorariam para se recusar a apertar o botão de choque. Será que permaneceriam obedientes à autoridade dos pesquisadores a ponto de matar alguém?

Para a surpresa de Milgram, mesmo podendo ouvir os gritos agonizantes do aprendiz que vinha da sala ao lado, dois terços dos voluntários continuaram a pressionar o botão até atingir a potência máxima de 450 volts, quando o aprendiz caiu em um silencio assustador, aparentemente morto.

Alguns dos voluntários tremiam e suavam, enquanto alguns riam histericamente, mas continuaram a apertar o botão. Mais perturbador ainda: quando os voluntários não podiam ver nem ouvir o aprendiz a cooperação era de quase 100%. O que os olhos não vêem o coração não sente, afinal.

Posteriormente Milgram comentou “Eu diria, com base em milhares de pessoas que observei durante os experimentos e na minha própria intuição, que se um sistema de campos de extermínio como os da Alemanha nazista fosse implantando nos Estados Unidos, seria possível encontrar trabalhadores e encarregados pelo seu funcionamento em qualquer cidade de médio porte do país”.

Quando Stanley Milgram publicou os resultados de seu experimento da obediência em 1963, a comunidade científica ficou abalada. Alguns pesquisadores acharam difícil acreditar que as pessoas pudessem ser tão facilmente manipuladas e iniciaram uma busca por algum erro de julgamento que Milgram possa ter cometido.

Charles Sheridan e Richard King teorizaram que talvez os voluntários estivessem colaborando por terem percebido que tratava-se de uma encenação. Para testar essa possibilidade os dois pesquisadores resolveram refazer o experimento original adicionando um novo elemento. Ao invés de usar um ator eles usariam uma vítima real que seria eletrocutada de verdade. Obviamente a experiência não poderia ser feita com uma pessoa, então eles decidiram utilizar um filhotinho.

Sheridan e King disseram aos voluntários – estudantes de um curso de psicologia – que o cachorro estava sendo treinado para distinguir entre uma luz forte e uma fraca. Ele teria que se posicionar à esquerda ou à direita dependendo do tipo de luz. Se ele se posicionasse de maneira errada o voluntário teria que pressionar o botão para dar o choque. Assim como no experimento de Milgram o choque aumentava em 15 volts a cada resposta incorreta, mas dessa vez o filhote realmente recebia o choque.

À medida que a voltagem aumentava o filhote começava a latir, depois a pular inquieto e, finalmente, a uivar em dor. Os voluntários ficaram aterrorizados. Andavam pra frente e para trás, ofegando e gesticulando com as mãos para tentar mostrar ao cachorro onde ele deveria se posicionar. Muitos choraram. Ainda assim a grande maioria, 20 dos 26 voluntários, continuaram a pressionar o botão até a voltagem máxima.

Curiosamente todos os seis estudantes que se recusaram a pressionar o botão eram homens. Todas as treze mulheres a participar do experimento obedeceram prontamente até o fim.


Leia mais outros experimentos bizarros aqui.

Publicado em 30 de agosto de 2009, traduzido de Elephants on Acid, de Alex Boese, em Ceticismo Aberto.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Existência?



Ah o universo, que belo lugar para se morar! Hoje eu estava voltando da faculdade de carona. Ainda que não fosse o tópico principal da conversa, deparamo-nos com um problema do senso comum: tudo que houve no passado aconteceu para que nós, nesse momento, estivéssemos aqui, exercendo a difícil tarefa de existir, indo para casa numa noite de segunda-feira.

A primeira vista o pensamento está corretíssimo, mas não é bem o que acontece, é um erro comum da lógica e da percepção humana, que é falha, e leva a crença de que existe um destino, ou um desígnio para nossa vida e para o que nós fazemos. Você pode acreditar na primeira premissa e negar a segunda, mas é verdade que a maioria das pessoas acredita em destino por essa falha lógica.

Esse pensamento, na física, é muito bem relacionado com o Princípio Antrópico, que "estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência do ser humano". Em outras palavras, quer dizer que o universo evoluiu de tal forma para nos conter, como se por um desígnio, desde o início, objetivara nos criar.

Ou seja, digamos que, desde o início a gravidade fosse ajustada para +1% do valor que se têm hoje. Nada existiria como conhecemos hoje. Galáxias não se formariam, e muito menos seres conscientes capazes de formular equações que explicassem o universo.

"Obrigado, seja lá quem for, por ter feito tudo para que eu nascesse e existisse!" você pode pensar, mas isso é irrelevante. Certo, nada errado com o Princípio Antrópico ou o pensamento de que cada mais vã coincidência no mundo me originou, os dois são verdade até certo ponto, mas jamais o são quando postulam que são verdade PARA QUE nós existíssemos.

Com certeza você conhece minha amiga Ana. Não? Exatamente, você não pode conhecer alguém que não existe. A ideia de inexistência é complicada de entender, tanto que nossa mente não está preparada para essa informação. A minha amiga Ana existe enquanto ideia. No momento em que eu falo para você pensar em alguém inexistente, se você pensar em alguém, esse alguém passará a ser uma ideia, e portanto, uma ideia existente.

Quando alguém propõe para que pensemos na nossa própria inexistência, aí que a coisa complica. E é exatamente isso que aqueles dois pensamentos propõem. Qualquer viagem imaginativa que nos faça pensar em qualquer motivo para que não existíssemos é irrelevante, apenas pelo motivo de que SIM, estamos aqui. Existo não porque tudo aquilo aconteceu, mas existo simplesmente por existir. Se eu não existisse, não pensaria em motivos para invalidar minha inexistência. Se existo, pensar na inexistência levaria à premissa anterior. Logo, pensar na inexistência ante à existência é irrelevante.

Mas afinal, tudo é irrelevante mesmo...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Na realidade...



Diz-se ilusão de ótica "todas ilusões que 'enganam' o sistema visual humano fazendo-nos ver qualquer coisa que não está presente ou fazendo-nos vê-la de um modo errôneo." Veja então essa imagem acima. De longe você consegue ver algo que de perto toma uma outra configuração. O que antes era um velho, torna-se um conjunto de personagens e situações que parecem mais complexas, mais detalhadas.

Isso ocorre pelo fato de que o cérebro humano não é perfeito, ele tenta atribuir características às imagens que, na verdade, não existem, a fim de completar uma informação importante para nós. Teve, claro, um papel fundamental na evolução humana. Por exemplo, imagine que você está caçando patos com seu colega. Você se distancia, ouve um tiro, depois um pato cai em agonia do céu, a poucos metros de você. É natural que você ligue as duas informações e chegue à conclusão de que o pato foi assassinado por seu colega, mesmo que ele possa ter morrido de várias outras maneiras depois que seu colega, acidentalmente, atirou para o alto.

Chama-se "post hoc, ergo propter hoc" o tipo de argumento falacioso que tenta conectar duas informações distintas, apenas pelo fato de uma ser posterior à outra. Um exemplo prático é o argumento postulado por S. Morris Engel, em seu livro With a Good Reason:

"Hoje, mais que nunca, mais e mais jovens estão entrando no Ensino Médio e Faculdades. Ainda assim, a deliquência juvenil e a alienação moral só cresceu para os jovens. Isso deixa claro que esses jovens estão sendo corrompidos de sua educação."

É lógico que esse argumento não é verdadeiro. Não foi somente a educação que cresceu nos últimos anos. Posso elaborar um igual estudo ligando a mesma deliquência e corrupção moral ao crescimento socio-econômico e dizer que os jovens, e.g., roubam mais se lhes é dada uma maior justiça socio-econômica, o que não é só equivocado, mas oposta, logicamente, ao pensamento real.

Mas, no que tal argumento falacioso tem relação com as ilusões de ótica enunciadas anteriormente? Simples, o nosso cérebro irá sempre tomar "decisões" que nos fazem pensar em situações que parecem lógicas, mas na verdade não são. Era comum achar, antigamente, que o pensamento puro era a resposta para todos nossos problemas. Se nossa emoção confunde a realidade, deveríamos somente pensar logicamente para termos as decisões mais "certas" e confiáveis.

A questão, como você viu, é que até a lógica pura é influenciada pelas sensações, de forma que o cérebro evoluiu para encontrar uma resposta em tudo, ainda que isso não seja possível, ou que a resposta contrarie nossa intuição. Nunca saberemos até que ponto nossa realidade é influenciada pelas nossas intuições, mas tudo leva a crer que é muito mais que imaginávamos antes. Não que isso seja ruim, se evoluímos assim, é porque talvez não saberíamos lidar com o peso da realidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

La vie est belle.

Tenho 19 anos, comecei a viver a pouco tempo. Como uma criança aprendendo a andar, é natural levar seus tombos. Parece-me que quantos mais tombos, melhor é o desempenho dos caminhares no futuro da vida, e ainda sei que ainda irei cair muito. Pensei a vida ser somente uma ideia, pensei a vida ser totalmente real. Aprendi que estava errado nos dois. A realidade não é como vemos e sentimos, mas continua sendo a nossa realidade. É o real para nós.
Pensei as pessoas serem más. Pensei nelas como sendo dotadas de puro interesse, egoísmo. Mas percebi que nós somos animais, acompanhamos nossos instintos, e se eles parecem maus, é para o bem. Aprendi que alguém pode amar tanto outra pessoa que em certos momentos consegue negar a si próprio para o bem da pessoa amada. Sei que isto não é idealismo, pois sou capaz de sentir.
Percebi que a vida não tem absolutos - Exceto talvez a velocidade da luz. O absoluto é uma ideia inventada por alguém para simplificar o belo, que é caótico e finito, ainda que seja muito grande e complexo.
Notei que onde existe a contradição é onde jaz a verdade. Notei também que a verdade não é um valor absoluto e está sempre mudando, levando-me a evidenciar que ela nem ao menos existe.
Entendi que certos conceitos são ideais e não existem na realidade, inventados somente para nos guiar, como a felicidade ou o sucesso.
Aprendi que estou errado, na maioria das vezes, e que isso é bom.
Olhei para a humanidade, ri, depois chorei, e então percebi que ainda tenho esperanças e que a humanidade vencerá. Não através dela, mas dos seus frutos.
Vi que dos conceitos bons surgem os maus. Que onde há o amor, há o ódio, que onde há a paz, há a guerra, e os conceitos se permutam indefinidamente, como se convivessem em harmonia.
Que não há respostas para algumas perguntas como a famosa "a vida tem sentido?", ou "vale a pena existir?". E se há, ainda tenho um bom caminho pela frente para desvendar seus mistérios.
Que nada vale a inteligência para atingir os tão sonhados hormônios que nos fazem felizes, a serotonina. Que não sei ao certo se sermos inteligentes nos faz bem. Nem se somos realmente inteligentes.
Que devemos nos entregar aos instintos, portanto aproveitar a existência, enquanto ela houver.
Que nossa cultura está com os valores invertidos pelas grandes religiões, e que isso está nos pervertendo.
Que viver é muito complexo, e que devemos aprender assim, errando.
Tanta coisa para viver, tão pouco tempo para aproveitar.
Como seria bom ser imortal!
Quero cair, cair cada vez mais, para aprender a viver, para conseguir aproveitar, desvendar alguns dos mistérios da existência, ou pelo menos tentar. A tentativa já me será o suficiente. Quero aprender, sobre qualquer coisa, por mais óbvio que seja, por mais obsoleto, ou simples. Mostrem-me a vida, debulhada em pensamentos, em seus mais irrelevantes detalhes, seus mistérios, suas incertezas. Quero me aventurar nessa montanha sem cume, chegar até onde ninguém jamais chegou.
Ainda tenho 19 anos, da vida não sei nada. Vontade não falta, nem coragem. Preciso apenas aprender a me levantar e sair andando.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Zhuangzi e a Borboleta.

Um dia Zhuangzi sonhou que era uma borboleta, uma borboleta que voava e esvoaçava por todos os lugares, feliz consigo mesmo e fazendo o que desejava. Ele não sabia que era Zhuangzi. De repente ele acorda e lá estava ele, sólido e inconfundível Zhuangzi. Mas ele não sabia se ele era Zhuangzi que sonhara que era uma borboleta, ou uma borboleta que sonhava que era Zhuangzi. Entre Zhuangzi e a borboleta deve haver alguma distinção! Essa é a chamada Transformação das Coisas.
Zhuangzi - Filósofo Chinês.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O que mais amo na vida é...

Ah a vida! Você nem percebe, mas uma hora vem à cabeça: Eu existo! Nada mais belo e misterioso! ...
...Se tudo isso fosse realmente belo!
Preste atenção à sua volta. Não, não! A resposta pode estar até dentro de você mesmo! Será que toda a aventura de estar vivo faz valer a pena? E que pena!
Vivemos em meio a pessoas! E encare pessoas como o pior adjetivo que eu pude lembrar para designar todo lixo social existente. Eu inclusive; você inclusive.
Todas essas pessoas vivem segundo um propósito - é muito lógico - e esse propósito, qual é? Chegar à "felicidade", que mal passa de um conceito ideal inventado para nós termos sim, um propósito? Ser rico, até que ponto? Ter poder, cada vez mais?
A cada passo que damos a qualquer propósito existente nos distancia mais e mais dele, e mesmo assim insistimos em viver.
Não só viver, mas vivemos para ideologias, seguindo pessoas que se dizem verdadeiras, que nada mais são do que pessoas, como nós, macacos pelados, buscando o instinto da reprodução e preservação da espécie.
Está aí um bom propósito!
Nada mais aparentemente triste do que a verdade não aparente! Vivemos professando religiões falsas, filosofias falsas, ideologias, padrões, e tantas coisas que não correspondem à nossa realidade, aos nossos instintos, às nossas percepções, às nossas emoções, aquelas coisas que nos tornam aquilo que nós somos realmente.
Sim, professamos que devemos amar a todos, mas odiamos desde nossos inimigos mortais até nossos melhores amigos. Professamos que o sexo é algo imoral, mas somos movidos a ele, caso contrário não haveria reprodução. Professamos que devemos perdoar, e perdoamos, ou pelo menos falamos isso para não parecermos pessoas muito humanas. Humanos! Somos demasiado humanos! Não podemos fugir disso, todos querem deixar essa qualidade, mas são cada vez mais pervertidos, mais sujos, mais humanos.
O que eu amo na vida é a hipocrisia, se me permite a ironia. Somos animais carniceiros, naturais, e a natureza é naturalmente má! Somos homicidas, suicidas, açougueiros de ideias, preparados para consumir qualquer coisa a nossa frente, mas muito preocupados em como falar isso para o padre na hora de confessar.
E para o ralo aqueles que pensam o oposto! São tão sujos que a sujeira cobre a capacidade de pensar. Nâo que eu seja limpinho, não que eu tenha plena capacidade de pensar, pois eu também sou uma pessoa, eu também sou humano!
Calem-se seus egocêntricos, seu egocentrismo enoja até o mais fétido dos serial-killers. A humanidade está doente de tanto egocentrismo, hipocrisia, e vontade de poder! Morram afogados pela sua própria humanidade! Não destruam o mundo, ele não é menor que vocês, mas é mais frágil!
Caiam! Quebrem seus dentes no chão, para aprender a mastigar direito! Martelem as suas próprias mãos, para aprenderem a martelar! Vivam conforme a vida, para aprender a viver, seus macacos pelados, seus humanos!

sábado, 27 de novembro de 2010

La Guitarra Española



É certo que as minhas participações no blog são relativas à filosofia. Para mim, as abordagens filosóficas são tão abrangentes que posso dizer com firmeza que a música é, também, uma expressão metafísica do ser humano. E nada melhor para começar com esse novo trend do que a música espanhola, mais precisamente a guitarra espanhola, que para mim é a melhor técnica existente no violão.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Experiência de Stanford


Por Marcelo del Debbio em Teoria da Conspiração.

O experimento de aprisionamento da Universidade de Stanford foi um marco no estudo psicológico das reações humanas ao cativeiro, em particular, nas circunstâncias reais da vida na prisão. Foi conduzido em 1971, por um time de pesquisadores liderados por Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford. Voluntários faziam os papéis de guardas e prisioneiros, e viviam em uma prisão “simulada”. Contudo, o experimento rapidamente ficou fora de controle e foi abortado.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Uma sociedade de tijolos e cristal.

Se você alguma vez já viu algum episódio de Star Trek, você pode se lembrar dos vulcanos. Se não viu, explico. Os vulcanos são uma espécie humanóide que vive no planeta de mesmo nome e cuja filosofia é a de negação de emoções, em outras palavras, a elevação da razão.

Pode parecer familiar, e é. Na verdade, a quantidade de escolas filosóficas usando do mesmo princípio é enorme, podemos citar o estoicismo, o cristianismo e o budismo só a título de exemplo. Ignorar emoções como o ódio, a inveja, e pregar o perdão pode parecer excelente, uma forma de manter a sociedade una e harmônica. Seria, se não fosse pura utopia.

O que ocorre é que nós somos um pouco pretensiosos ao achar que somos racionais, e que somos a espécie mais inteligente, mas nos esquecemos que todas nossas ações (sim, todas) são governadas por instintos. Por exemplo, se eu estou com fome, vou comer, pois é meu instinto comer. Se estou apaixonado, é porque tem um instinto de propagação da espécie que me faz procurar uma parceira e cuidar dela e de minha prole futuramente.

Quando um instinto é negado, através de outro instinto – que teimamos em chamar de razão – negamos a própria natureza. Hoje sabemos muito bem o que a natureza faz, quando você a ignora ou a trata mal: como um grande deus malévolo, ela se volta contra nós. E isso é muito perceptível para você que é fã de Star Trek: quando um vulcano perde o controle de suas emoções, o que eventualmente acontece, parece potencializá-la, liberando toda a emoção contida e negada.

A sociedade dos vulcanos então é edificada em uma grande base de cristal: qualquer evento que venha a liberar emoções de alguém, certamente liberará, também, um caos massivo que a destruirá. A antiga ideia de perdoar e amar seus inimigos nada mais é do que uma bomba-relógio, que eventualmente explodirá. Descontar no inimigo na primeira vez que este lhe aborrece, parece ser bem mais proveitoso do que descontar futuramente, quando ele lhe aborrecer tanto que lhe faz pensar “para mim chega, não o aguento mais!”

Essa é a influência emocional que age de fora para dentro. É a pressão externa que age a todo momento, em todas as pessoas, influenciando seu comportamento, podendo ser negada, como mostra a filosofia tradicional, ou pode ser aproveitada, senão, vejamos.

Para demonstrar um evento bem comum – quando alguém sofre uma decepção amorosa. Dependendo do quão forte for essa decepção, com certeza na próxima você vai estar mais preparado para enfrentar de forma mais madura, sabendo agir no momento certo.

Há ainda de se considerar o outro lado da moeda, quando a vítima das emoções é você mesmo. Esse é o tipo de influência emocional que age de dentro para fora. É a influência que você dá ao mundo através de suas emoções. De um lado, temos uma filosofia de perdão, de contenção da tristeza, por exemplo, já que é assegurada que todos os eventos no mundo tem um propósito, seja esse evento bom ou ruim, mas cuja razão é boa para todos. Por outro lado, qualquer evento que venha necessitar de um maior preparo emocional, vai destruir aquele que sempre se escondia na sombra de uma ideologia acalentadora.

Imagine assim: você e um amigo fazem uma aposta, em um ano cada um tentará levantar um peso de 100kg. Seu amigo, achando-se forte e dominado pela ideia que só ele ganhará a aposta, não treina, ao contrário de você, que está lá na academia sofrendo de dores a todo instante. Não precisa de tanta reflexão para saber quem ganhará a aposta. Você, ao contrário de seu amigo, não se apoiou em uma ideia, mas em uma ação, e isso fez toda a diferença.

Assim também é em relação às emoções. Se a cada tristeza você supor que é para o seu bem, depois de certo tempo você perceberá que não se tornou tão forte quanto se tivesse tomado a decisão de agir.

Uma sociedade que se baseia na justiça, no sentido mais puro da palavra, através de positivação dos sentimentos de aceitação dos instintos, parece também ser caótica. Como combinar o melhor dos dois para se chegar a uma harmonia social? Cada cidadão tem seu modo próprio de lidar com as emoções, extravazá-las não implica necessariamente uma violência.

Deve-se buscar a melhor maneira, ou a mais sensata de fazer isso. Claro que se você quiser realmente resolver as coisas, irá buscar a forma que mais lhe convenha, nem que seja a mais primitiva delas – sabendo das implicações jurídicas delas, é claro. Mas extravase, isso é o mais importante. A harmonia é um efeito do caos, um produto dele, altamente imprevisível, mas edificada em uma estrutura sólida, como de tijolos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rafael Sica




Se você procura por arte moderna e brasileira, vale a pena dar uma olhada no site de Rafael Sica. Com maestria, ele consegue nos encantar e ativar nossa imaginação. O que poderia estar escondido nessas obras? Qual seu conteúdo? Digamos que, em muitos casos, é bastante subjetivo.

Beakman e o Método Científico


É sempre bom lembrar da infância. Esse é o Mundo de Beakman, programa infantil para proporcionar respostas com respaldo científico para perguntas comuns entre as crianças. Mas esse capítulo evidencia o método científico, de uma forma didática e divertida.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Meme Divino




Superinteressante de novembro.
Artigo "Deus, uma biografia"
Por José Lopes e Alexandre Versignassi.

(...)
Deuses nasceram do pôquer. A crença em divindades provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. Somos muito bons nisso desde que surgimos, há 200 mil anos, e precisamos ser mesmo, porque o Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passa na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é.

E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "O que será que ele pensa que eu estou pensando?" Nosso cérebro é uma máquina de pôquer.

Pesquisadores como o antropólogo francês Pascal Boyer defendem que esse sistema de detecção de intenções pode acabar aplicado a coisas que não têm intenções de nenhum tipo - como a chuva, ou o Sol. A ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo.

Por esse ponto de vista, a espiritualidade faz parte dos nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindades quanto comer ou dormir.

Cada fenômeno da natureza, então, representava as intenções de alguma divindade. É como ainda acontece nas tribos de caçadores-coletores de hoje. Entre os índios tupis, os trovões são a raiva do deus Tupã. E fim de papo.
(...)