terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Na realidade...



Diz-se ilusão de ótica "todas ilusões que 'enganam' o sistema visual humano fazendo-nos ver qualquer coisa que não está presente ou fazendo-nos vê-la de um modo errôneo." Veja então essa imagem acima. De longe você consegue ver algo que de perto toma uma outra configuração. O que antes era um velho, torna-se um conjunto de personagens e situações que parecem mais complexas, mais detalhadas.

Isso ocorre pelo fato de que o cérebro humano não é perfeito, ele tenta atribuir características às imagens que, na verdade, não existem, a fim de completar uma informação importante para nós. Teve, claro, um papel fundamental na evolução humana. Por exemplo, imagine que você está caçando patos com seu colega. Você se distancia, ouve um tiro, depois um pato cai em agonia do céu, a poucos metros de você. É natural que você ligue as duas informações e chegue à conclusão de que o pato foi assassinado por seu colega, mesmo que ele possa ter morrido de várias outras maneiras depois que seu colega, acidentalmente, atirou para o alto.

Chama-se "post hoc, ergo propter hoc" o tipo de argumento falacioso que tenta conectar duas informações distintas, apenas pelo fato de uma ser posterior à outra. Um exemplo prático é o argumento postulado por S. Morris Engel, em seu livro With a Good Reason:

"Hoje, mais que nunca, mais e mais jovens estão entrando no Ensino Médio e Faculdades. Ainda assim, a deliquência juvenil e a alienação moral só cresceu para os jovens. Isso deixa claro que esses jovens estão sendo corrompidos de sua educação."

É lógico que esse argumento não é verdadeiro. Não foi somente a educação que cresceu nos últimos anos. Posso elaborar um igual estudo ligando a mesma deliquência e corrupção moral ao crescimento socio-econômico e dizer que os jovens, e.g., roubam mais se lhes é dada uma maior justiça socio-econômica, o que não é só equivocado, mas oposta, logicamente, ao pensamento real.

Mas, no que tal argumento falacioso tem relação com as ilusões de ótica enunciadas anteriormente? Simples, o nosso cérebro irá sempre tomar "decisões" que nos fazem pensar em situações que parecem lógicas, mas na verdade não são. Era comum achar, antigamente, que o pensamento puro era a resposta para todos nossos problemas. Se nossa emoção confunde a realidade, deveríamos somente pensar logicamente para termos as decisões mais "certas" e confiáveis.

A questão, como você viu, é que até a lógica pura é influenciada pelas sensações, de forma que o cérebro evoluiu para encontrar uma resposta em tudo, ainda que isso não seja possível, ou que a resposta contrarie nossa intuição. Nunca saberemos até que ponto nossa realidade é influenciada pelas nossas intuições, mas tudo leva a crer que é muito mais que imaginávamos antes. Não que isso seja ruim, se evoluímos assim, é porque talvez não saberíamos lidar com o peso da realidade.

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