segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Existência?



Ah o universo, que belo lugar para se morar! Hoje eu estava voltando da faculdade de carona. Ainda que não fosse o tópico principal da conversa, deparamo-nos com um problema do senso comum: tudo que houve no passado aconteceu para que nós, nesse momento, estivéssemos aqui, exercendo a difícil tarefa de existir, indo para casa numa noite de segunda-feira.

A primeira vista o pensamento está corretíssimo, mas não é bem o que acontece, é um erro comum da lógica e da percepção humana, que é falha, e leva a crença de que existe um destino, ou um desígnio para nossa vida e para o que nós fazemos. Você pode acreditar na primeira premissa e negar a segunda, mas é verdade que a maioria das pessoas acredita em destino por essa falha lógica.

Esse pensamento, na física, é muito bem relacionado com o Princípio Antrópico, que "estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência do ser humano". Em outras palavras, quer dizer que o universo evoluiu de tal forma para nos conter, como se por um desígnio, desde o início, objetivara nos criar.

Ou seja, digamos que, desde o início a gravidade fosse ajustada para +1% do valor que se têm hoje. Nada existiria como conhecemos hoje. Galáxias não se formariam, e muito menos seres conscientes capazes de formular equações que explicassem o universo.

"Obrigado, seja lá quem for, por ter feito tudo para que eu nascesse e existisse!" você pode pensar, mas isso é irrelevante. Certo, nada errado com o Princípio Antrópico ou o pensamento de que cada mais vã coincidência no mundo me originou, os dois são verdade até certo ponto, mas jamais o são quando postulam que são verdade PARA QUE nós existíssemos.

Com certeza você conhece minha amiga Ana. Não? Exatamente, você não pode conhecer alguém que não existe. A ideia de inexistência é complicada de entender, tanto que nossa mente não está preparada para essa informação. A minha amiga Ana existe enquanto ideia. No momento em que eu falo para você pensar em alguém inexistente, se você pensar em alguém, esse alguém passará a ser uma ideia, e portanto, uma ideia existente.

Quando alguém propõe para que pensemos na nossa própria inexistência, aí que a coisa complica. E é exatamente isso que aqueles dois pensamentos propõem. Qualquer viagem imaginativa que nos faça pensar em qualquer motivo para que não existíssemos é irrelevante, apenas pelo motivo de que SIM, estamos aqui. Existo não porque tudo aquilo aconteceu, mas existo simplesmente por existir. Se eu não existisse, não pensaria em motivos para invalidar minha inexistência. Se existo, pensar na inexistência levaria à premissa anterior. Logo, pensar na inexistência ante à existência é irrelevante.

Mas afinal, tudo é irrelevante mesmo...

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